Luanda

Músico

Felipe Mukenga

BIOGRAFIA DE FRANCISCO FELIPE DA CONCEIÇÃO GUMBE
“FELIPE MUKENGA”

Francisco Felipe da Conceição Gumbe, de 74 anos de idade é popularmente conhecido pelo pseudónimo Artístico de Felipe Mukenga, é filho de Anacleto António da conceição Gumde e de Isabel André. Nasceu e cresceu nos musseques de Luanda, onde conheceu os primeiros acordes da guitarra. O seu primeiro contacto com a música, porém, acontece na Igreja Protestante onde, desde criança, acompanhava os seus pais no culto dominical. Como ele próprio diz, " ficava extasiado a ouvir os grupos corais da Igreja, onde a harmonia das vozes era o elemento que mais me fascinava".

Nos anos 60, como todos outros jovens não escapou á influência da Pop music anglo-saxónica e dos seus cantores e grupos mais conhecidos, mais seriam os BEATLES, O quarteto de Liverpool, que o marcariam em definitivo e fizeram dele " um amante fervoroso da arte dos sons, “ ou seja, que o levaram a optar por uma carreira de cantor e músico. Integrou assim vários grupos de música da chamada música moderna que nesse tempo proliferavam em Luanda, nomeadamente os INDÓMITOS e o APOLLO XI. Contudo, Mukenga depressa se destacou dso demais vocalistas desse movimento, por compor canções originais que não fugiam ao espírito da música da época, composições essas quase sempre inspiradas nas melodias de PAUL MCCARTNEY e JOHN LENNON.

Entretanto toma contacto com o jazz e outros estilos da música negro - americana como os Blues, o Gospel e a Soul music. cantores e músicos como JEMES BROWN, DUKE ELLINGTON, RAY CHARLES, NAT KING COLE, MAHALIA JACKSON, NINA SIMONE ou ARETHA FRANKLIN, influenciaram também e fortemente o jovem músico, influencias essas que se refletem visivelmente na sua música actual.

No início dos anos 70 é obrigado a cumprir serviço militar no exército português, em algumas deambulações pelo interior do país, Felipe Mukenga descobre a riqueza e as potencialidades da música Angolana de raiz, o que leva uma viragem no seu percurso musical. Sem abandonar as influências anteriores, começa a preocupar-se na busca de um som novo para a música de Angola. Cria então o DUO MISOSO com o músico, José da Piedade Agostinho, e a partir dai, as suas preocupações musicais acentuam-se em relação aos ritmos angolanos, á função dos instrumentos nacionais, ás línguas de Angola e naturalmente á componente social da sua música.

Com o eclodir das confrontações militares entre os Movimentos de Libertação de Angola, que após o 25 de ABRIL entraram oficialmente em Luanda, Mukenga, como tantos outros jovens músicos, enquadra-se na JMPLA, onde chega a chefiar num determinado momento a sua Secção de Música. Em todo território nacional, espetáculos políticos culturais têm assim lugar não só com o povo, sobretudo da juventude para a luta que se tinha que empreender contra as forças que almejavam a tomada do poder pela força, mais também, com o fito de angariar fundos para o MPLA. Enquadrado na "JOTA", Mukenga integrou várias delegações que na Argélia, Moçambique e em São Tomé e Príncipe, á convite das suas congéneres nesses países, devolveram Actividades politico-culturais. Em finais de 1975, por razões de ordem profissional, desliga-se da JMPLA e prossegue a sua carreira desenvolvendo as suas ideias musicais e afirmando como um dos criadores mais talentosos e originais da música Angolana pós independência.

Participante do XI Festival Mundial da Juventude e Estudantes realizado em Cuba no ano de 1978, Mukenga trava conhecimento com DJVAN a quem dá a conhecer o seu trabalho. A intuição deste extraordinário músico brasileiro transforma as composições NVULA e HUMBIUMBI nas canções angolanas mais internacionais.
FLORA PURIM nos Estados Unidos, PAULO DE CARVALHO em Portugal, ESTEVÃO DJIPSON na Guiné-Bissau, FUNDO DE QUINTAL, BANDA MEL e MAURISIO MATTAR no Brasil, gravaram igualmente composições suas.

Em 1988 pela primeira vez em Portugal integrando uma comitiva de jornalistas angolanos presentes no 1º encontro de Jornalistas dos PALOPS, com o apoio de RAÚL OURO NEGRO, obtém contrato para a gravação do seu primeiro disco de originais. Este disco intitulado NOVO SOM, gravado em 1990 para a EMIVALENTIM DE CARVALHO e lançado em lisboa em 1991, coincidindo com a assinatura dos Acordos de BICESSE, que foram logo a seguir desrespeitados pela UNITA, não se conseguindo deste modo a paz tão necessária ao pais, tem participação especial de RUI VELOSO, eminente músico português, gentileza que MUKENGA retribui mais tarde no álbum MINGOS e os SAMORAIS de VELOSO.
Em 1992, após participação na expo Universal Sevilha, MUKENGA fixa-se em Portugal onde desenvolve o seu trabalho retomado a colaboração com FELIPE ZAU que já vinha de 1978- este como autor de texto- outros grande talento da nova música Angolana e então adido cultural na Embaixada de Angola em Portugal. Dessa frutuosa resulta, em 1994, CD KIANDA KI ANDA, gravado para o Lusáfrica em Paris e, em 1996 e duplo CD O CANTO DA SEREIA – O ENCANTO, também para mesma editora um trabalho de grande fôlego sob a forma de opereta e que conta a saga dos marítimos africanos nas viagens coloniais. Posteriormente este trabalho foi recriado em espetáculo ao vivo e apresentado na Expo Universal de Lisboa em 1998.
Em 1999, FELIPE MUKENGA, participa á convite da Embaixada da Angola no Brasil, na inauguração da Casa de Angola no Estado da BAHIA, e se apresenta no ano seguinte e neste mesmo estado brasileiro, no Festival de Música e Artes do OLODUM. Nessa mesma altura, canta com nomes sonantes da música baiana como GILBERTO GIL, MARGARETH MENEZES, GERÓNIMO e bandas como ARAKETU, CORTEJO AFRO, TIMBALA E OLODUM. A Associação Recreativa Cultural e Carnavalesca MALÊ DEBALÊ, convida-o a integrar o júri de mais um festival de música por si organizado e posteriormente canta e desfila no Carnaval baiano sendo visto nomeadamente nos Blocos da camisinha, Prétados, Apache do Toróró como também nos Trios de Margareth Menezes e Márcia Freire.
Ainda no ano de 2000, FELIPE MUKENGA canta no Rio de Janeiro e em São Paulo respectivamente com NEY MATOGROSSO, ZÉLIA DUNCAN E CASIA ELLER, um Projecto do Pão Music 2000.
Em 2001, inicia no Estado da Bahia a gravação do seu mais recente disco, MIMBU IAMI, lançado em Portugal e em Angola em 2003, com a chancela da Movieplay Portuguesa.
Em 2002, o músico angolano participa de novo no Carnaval baiano, edição designada de CARNAVÀFRICA com a qual o povo da BAHIA, entendeu homenagear o continente NEGRO.
Em janeiro de 2004, MUKENGA regressa definitivamente ao país depois de 13 anos na diáspora. Foi reintegrado no Ministerio da Cultura, onde vem exercendo as funções de consultor.
Em janeiro de 2005, participa no Rio de Janeiro no Projecto ENLACE (Brasil e Angola Unidos contra o HIV/SIDA), uma Srª TCHIZÉ DOS SANTOS, filha do Presidente da República de Angola. Dono de excelente voz, autor de canções que inspiradas nos ritmos de Angola, fogem ao espírito da música Africana, fortemente influenciado pelo Jazz e outro sons negro-americano, Felipe Mukenga está tão perto do seu continente como da Europa e da América. A sua musica como ele diz “ é a NOVA MÚSICA de ANGOLA” (NMA), aberto ao mundo.

DISCOGRAFIA.
NOVO SOM – 1991, EMI-VALENTE DE CARVALHO, Portugal
KIANDA KI ANDA- 1994 LUSÁFRICA, Paris
O CANTO DA SEREIA – O ENCANTO 1996 (co- autor com Felipe Zau), LUSÁFRICA, Paris
MIMBU IAMI- 2003, MOVIEPLAY PORTUGUESA AS, Portugal

TRAJECTORIA MUSICAL
FILIPE MUKENGA
1964- Impulsionado pelos BEATLES, que faziam sucesso em todo mundo em Angola não escapou ao fascínio da sua música, MUKENGA inicia a sua actividade musical, apresentando – se no Cinema Restauração e no programa “O Chá das Seis”. A rubrica do referido programa, “Um minuto para mostrar o que vale”, no qual se inscrevera, estava virado para descoberta de novos valores;
1964-1966- Influenciado pelo pop Music Anglo-saxónica e outros géneros da época, foi integrado vários grupos que naquele tempo proliferavam em Luanda. Recorda-se aqui nomeadamente os Brucutus, os Indómitos do qual foi vocalista, The five King com Mello Xavier nos teclado e na voz, The black Stars de Gégé Belo, os Rocks de Eduardo Nascimento, os Elétricos com Vum-Vum na voz, os jovens com Mário Bento, Mário Eduardo, Hoje Mário Ngoma e Mário Rui, Apollo XI com Mukenga mais experiente, etc,etc;
1969 – 1975 – Neste período Mukenga concluiu o serviço militar no exército colonial português e formou o Duo MISOSO a partir do qual as suas preocupações musicais se foram acentuando em relação aos ritmos tradicionais angolanos, ás harmonias baseadas nos acordes invertidos, ás dissonâncias, ás línguas nacionais e naturalmente, á componente social da sua música. Integra ainda e no referido período, o Projecto Kisangela da JMPLA e Chefia a sua Secção de Música Reunindo os melhores cantores do país naquela altura;
1980 – Durante a visita a Angola da mais importante caravana artística brasileira de sempre, que apresenta em várias localidades do país, o Projecto Kalunga, conhece DJAVAN que transforma as suas composições Nvula e Humbiumbi nas canções angolana mais internacionais.
1983 – Integra a caravana artística- cultural, que pela primeira vez pisa terras do Brasil, apresentado nos estados do Rio de Janeiro, S. Paulo e Bahia, o Canto livre de Angola;
1990 – Grava em lisboa e para EMI- Valentim de Carvalho, o seu primeiro disco intitulado NOVO SOM;
1994 – Grava em Paris e para lusáfrica, o segundo disco que decide intitular KIANDA KI ANDA;
1996 – De novo em Paris, grava contando com a participação de outros cantores angolanos e não só, o lítero- musical intitulado a Canto da Sereia, o Encanto em que é co- autor com Felipe Zau;
1999 – É convidado pela Embaixada de Angola no Brasil a participar nas cerimónias de inauguração da Casa de Angola na Bahia.
2000 – Apresenta-se nos estados do Rio de Janeiro e S.Paulo, respectivamente com NEY MATTOGROSSO, ZÉLIA DUNCAN e CASSIA ELLER, um projecto do pão Music 2000. Neste mesmo ano, regressa á Bahia para ser a grande Atração do vigésimo FEMADUM – Festival de Música e Arte do Olodum. Inicia nessa altura a gravação de MIMBU IAMI;
2001 – Prossegue em Salvador da Bahia, a gravação do álbum MIMBU IAMI e desfila no Carnaval com o grupo carnavalesco Malê Debalê;
2002 – Em salvador da Bahia, participa no Carnaváfrica, Carnaval com o qual o povo baiano entendeu homenagear o continente negro e termina, em Lisboa, a gravação do seu terceiro disco MIMBU IAMI que conta com a participação muito especial de DJVAN;
2003 – Acontece em Lisboa e em Luanda o lançamento do terceiro álbum de originais MIMBU IAMI;
2004 Depois de 13 anos na diáspora, Mukenga regressa a pátria para a servir numa nova fase da sua vida, onde a conquista da paz é o elemento revigorante do povo, na árdua luta agora pelo desenvolvimento e prosperidade;
2005 – É convidado pelo cantor-Actor brasileiro, Maurício Mattar, a participar no seu disco intitulado MEU SEGUNDO DISCO. Nessa altura, participa igualmente, no Projecto ENLACE, (Brasil e Angola unidos contra o SIDA) marcado com um grande espetáculo de beneficência na sala “Claro Hall” no Rio de Janeiro;
2007 – Inicia em Dezembro e em S. Paulo, BRASIL, a gravação do seu quarto disco, cujo título será (NÓS SOMOS NÓS). Ainda nesse ano, é convidado pela Associação Cultural Chá de Caxinde, a criar, conjuntamente, com Filipe Zau, seu companheiro inseparável na arte de compor, a canção com a qual se apresentaria, na marginal, em mais uma edição do Carnaval de Luanda.


LUANDA, 14 DE FEVEREIRO DE 2008

Obras Cadastradas

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